THAMMY REVELA EM BIOGRAFIA QUE NUNCA FEZ SEXO COM HOMEM
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  • 06/08/2015 
  • Redação
A biografia ainda conta detalhes da infância de Thammy

A biografia ainda conta detalhes da infância de Thammy

A biografia de Thammy Miranda, que será lançada em setembro, durante a Bienal do Livro no Rio de Janeiro, traz detalhes sobre sua infância, sua transexualidade e sua “virgindade”. Em entrevista ao jornal Extra, a autora Marcia Zanelatto revelou que o filho de Gretchen (como Tammy assume sua identidade de gênero atualmente) nunca fez sexo com homens.

“No livro, Thammy conta a primeira transa com uma mulher com detalhes. Mas ela nunca fez sexo com homens. Thammy é virgem. O momento de mais intimidade que ela teve com um homem está no capítulo ‘No motel com Zorro’. Ela tinha 16 e foi para um motel após uma festa à fantasia. O namorado estava fantasiado de Zorro. Ele queria transar, mas aí ela demorou no banho para esperar ele dormir. Depois foi a vez de ele entrar no banho e Thammy fingir que estava dormindo. Eles ficaram naquela negociação para não ter penetração e não teve. Esse foi o máximo que Thammy chegou com um homem”, contou a autora.

Transexualidade

Marcia disse que Thammy sempre gostou de se vestir como menino e que isso muitas vezes gerou preconceito por parte das pessoas que não eram próximas. “Na infância, Thammy sempre gostou de usar roupas de meninos. Quando tinha 4 ou 5 anos, pediu a avó um kichute. Ele, ainda criança, gostava de fazer xixi em pé. E a família procurava lidar com isso com muita tranquilidade, sem pré-julgamento. Numa das festinhas de aniversário, pediu um He-man de presente. Um dia, Gretchen ouviu de um vizinho: ‘Thammy está muito masculina, está parecendo um sapatãozinho’. E a cantora respondeu: ‘Por quê? Só porque ela gosta de brincar com os meninos na rua? Eu também gostava’. Mas para ele já era a questão do gênero”, falou.

A biografia fala também da convivência do filho de Gretchen com seu avô. “Tem muitos detalhes curiosos, que o público não sabe. Como, por exemplo, o avô paterno, um policial civil e sujeito linha dura, que não aceitava muito bem a transexualidade. Até que um dia, durante um almoço em família, o avô perguntou onde Thammy havia comprado as cuecas que ele estava usando para fora da calça. Disse que queria umas cuecas assim também”, relatou.

A autora ainda abordou a dificuldade que encontrou para escrever a obra, pois ele tinha dificuldades para contar detalhes. “Thammy realmente é um homem. Ele é muito pragmático, tinha dificuldade de falar de detalhes. Então, eu tive que entrevistar muita gente, como os pais, a melhor amiga, várias ex-namoradas, a família”, completou.

Abordagem

Marcia contou como usou os pronomes ‘ele ou ela’ ao decorrer da escrita. “Não me refiro ao Thammy só no gênero masculino. Procurei proporcionar ao leitor a mudança exatamente junto com o que aconteceu na vida dele. Durante muito tempo, ele não sabia que o que ele vivia era uma questão de gênero. Então, ele mesmo se chamava a Thammy, a mulher. Quando ele foi construindo essa mudança e chegou ao lugar de se pensar no gênero masculino, que foi dentro de uma relação com uma das mulheres da vida dele, ele assumiu esse lugar. E essa namorada começou a tratar ele no gênero masculino. No livro, me refiro ‘a Thammy’ até o momento em que ele faz essa mudança de gênero. Isso acontece a partir dos 60% do livro, quando estava com 27 anos. Foi uma opção estética para fazer com que o leitor tenha essa sensação da mudança junto com ele”, afirmou. A Tarde