RISCO DE ZIKA NO LEITE MATERNO DIVIDE PEDIATRAS BRASILEIROS
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  • 07/02/2016 
  • Redação
ZICA
Em meio à possibilidade de o leite materno transmitir zika às crianças, especialistas das sociedades estadual e brasileira de Pediatria estão divididos se mães infectadas pelo vírus devem continuar amamentando seus filhos. Na corrente mais cautelosa e que considera a troca do leite humano por outro tipo está o infectologista Paulo César Guimarães, da Sociedade Brasileira do Rio e diretor da Faculdade de Medicina de Petrópolis. O temor é por conta da Síndrome de Guillain-Barré, doença provocada pelo vírus e que compromete os movimentos do corpo. “Ainda não sabemos quanto tempo a zika pode ficar no organismo. Temos poucas informações científicas, então acredito que o melhor é a lactante cujo exame PCR deu positivo para a zika conversar com o médico e verificar se o melhor não é interromper a amamentação”, recomendou Guimarães, que acrescentou que, nos demais casos, é para manter o consumo de leite materno normalmente. Ele recomenda que casais também devem se prevenir nas relações sexuais, mesmo após o fim dos sintomas da zika. Já o presidente do Departamento de Aleitamento Materno da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), Luciano Borges Santiago, destacou que o leite humano não tem contra-indicação para casos do vírus, entretanto, demonstrou dúvida sobre o potencial contaminante via lactação. “É leviano dizer que a criança pode pegar zika da mãe na amamentação, assim como também é falar que (o aleitamento) não transmite ”, diz Santiago. Ele ressaltou que a SBP segue orientações do Ministério da Saúde, que apoia o aleitamento até que apareça o primeiro caso de infecção. A Sociedade de Pediatria do Rio defende a amamentação. Pelo mundo, já são 33 países, em três continentes, que registram habitantes contaminados por zika vírus. O anúncio, divulgado pela Organização Mundial de Saúde, lista Cabo Verde, na África, Ilhas Maldivas, Fiji, Tonga, Samoa, Ilhas Salomão e Vanuatu, todos na Ásia, como países onde há transmissão interna do vírus. Pelas Américas, o número é de 26 nações, entre elas Colômbia, Brasil, Suriname, El Salvador e Venezuela. Também há indicação e circulação viral em outros seis: Gabão, na África, Indonésia, Tailândia, Cambodja, Filipinas e Malásia, na Ásia. Na Colômbia, o Instituto Nacional de Saúde informou que 3.177 mulheres grávidas foram notificadas com zika no país desde o início da fase endêmica da doença, em outubro. O total de pessoas notificadas com o vírus é de 25.645. O departamento, como são chamados os estados na Colômbia, que mais tem registros de zika é o Norte de Santander, na fronteira com a Venezuela. Na região, foram notificados 4.983 casos entre outubro e 30 de janeiro. Também é lá que há o maior número de grávidas com o vírus, 983 no período analisado. O anúncio do aumento de casos notificados na Colômbia ocorreu um dia depois de o governo informar que três pessoas morreram por associação com o zika. Os três infectados morreram pela síndrome neurológica de Guillain-Barré, que os cientistas vinculam ao vírus. (O Dia)