O FUTURO DO CACAUICULTOR BAIANO (Por Valdemir Liger (*)
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  • 07/05/2016 
  • Redação

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O cacau, fruto tão querido pelos baianos, é originário das regiões tropicais da América Central, onde foi utilizado até como moeda pelos pipiles, povo indígena pré-colombiano de El-Salvador, que com ele pagavam tributos e compravam todo tipo de mercadoria.

Notadamente o Cacau não surgiu no Brasil, no entanto, adaptou-se perfeitamente ao clima e solos do Sul da Bahia, trazendo muita prosperidade para a região, constituindo-senum dos pilares fundamentais para o enriquecimento de muitas famílias de cacauicultores, contribuindo em muito para o desenvolvimento regional.

O Brasil, entre 1990 e 2003, teve um decréscimo no ranking mundial daprodução, saindo de nono para o décimo sétimo lugar, passando de 256,3toneladas métricas em 1990, para apenas 170,7 toneladas métricas em2003. Quando se analisa o ranking da área colhida mundial, percebe-se queo Brasil permaneceu na sétima posição entre 1990 a 2003.

Ainda neste sentido, vale registrar que a área colhida com cacau, no Brasil, apresentou uma queda de 12%,passando de 664.853 ha em 1990, para 582.315 em 2002. Todas as regiões brasileiras demonstraram queda na área colhida com cacau, contudo a Região Nordeste foi a que mais decresceu sua área colhida (23%),passando de 548.538 ha em 1990, para 487.791 em 2002. Ao se comparara área colhida da Bahia com a do Brasil, percebe-se que a mesma representava 82% do total brasileiro em 1990, aumentando para 84% em 2002.

Recordando-se que o cacauicultor baiano já viveu dias de glórias, surge o questionamento: O fim do cacau está próximo?

Salientando ainda que a crise política e economica que afeta o Brasil, não deixou de fora os cacauicultores, que também tem vivido dias de sofrimento para sobreviver da colheita do Cacau.

Diante de tal aspecto, nota-se que o momento é de união. Todavia, para que esta união surta efeitos para a real melhora na vida do cacauicultor, precisa-se de pessoas qualificadas e com experiência para contornar a situação que está posta.

Assim, com o iminente governo do atual Vice Presidente Michel Temer, e o consequente ganho de força do ex Deputado Geddel Vieira Lima, as  perspectivas sobre o Cacau devem voltar a pauta dos governantes.

Dito isso, quando se trata de Cacau e todo o seu entorno, não há como esquecer de uma figura que já fez muito pelo cacauicultor baiano, este nome é Juvenal Maynart.

Maynart, atualmente é membro do Conselho fiscal do Parque Tecnológico do Sul da Bahia, e foi Superintendente Regional da Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira na Bahia (CEPLAC).

Juvenal que é um dos poucos nomes que preocupa-se exclusivamente com o Cacauicultor baiano, e tem por crença a melhora  e modernização no cultivo do Cacau, em recentes entrevistas diagnosticou que o momento é favorável a mudanças, e a principal dessas condições favoráveis é o reconhecimento da cabruca como sistema agroflorestal de cultivo pela Conferência da ONU para o Desenvolvimento Sustentável (Rio+20), o que pode permitir que os “serviços ambientais” referendados pela Lei 13.223 de 2015 da Política Estadual na Bahia de Pagamentos de Serviços ambientais da SEMA, prestados pela cacauicultura sejam convertidos em crédito. O outro fator seria o apoio da Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB), que tem se alinhado à Ceplac por meio de seus núcleos de sustentabilidade e inovação.

Fora o seu currículo a frente da CEPLAC além dos demasiados estudos nesta área, Maynart ainda foi um dos grandes responsáveis pelo Decreto de nº 15.180 que dentre outros, trata sobre o Sistema Agroflorestal Cabruca, por parte dos produtores de cacau da Bahia.

Outra grande conquista foi a implantação de estrutura da UFSB (Universidade Federal do Sul da Bahia) na CEPLAC, ajudando no processo de consolidação da universidade. Por tal avanço, Maynart recebeu uma placa de reconhecimento e gratidão institucional das mãos do reitor da referia Universidade.

O Incansável Juvenal que sempre destacou-se pela capacidade de diálogo sempre fez a diferença. No entanto, por menos vontade que o mesmo tenha em retornar ao comando da CEPLAC, precisamos de figuras como Maynart, cuidando e protegendo o cacauicultor baiano.

E como os seus conterrâneos vem dizendo, “O menino de Ipiaú fez e fará a diferença”.

(*) Valdemir Liger Neto, Advogado, Pós Graduando em Direito Civil pela Faculdade Baiana de Direito.