A BRIGA DA VEZ PARECE SER MESMO RUI COSTA X ACM NETO
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  • 16/10/2017 
  • Redação

tempopresente@grupoatarde.com.br

Prefeito ACM Neto ao lado do governador Rui Costa

A pedidos, um retrato da cena política baiana. A esta altura do campeonato em 2013, um ano antes das eleições, Jaques Wagner, governador, ainda costurava um nome entre cinco pretendentes, Rui Costa no meio, e na outra banda, Paulo Souto e Geddel também ainda disputavam a cabeça da chapa.

Wagner, que em 2006 já foi guinado ao topo na sombra de Lula, guinou Rui já ancorado em Dilma, líder nas pesquisas.

Souto ganhou a ponta no outro lado, com as bençãos de ACM Neto e a aliança com Geddel. mas sem referências federais, tanto que botou o caso Dalva Sele, um suposto canal de desvio de dinheiro petista em primeiro plano, na tentativa de estadualizar a peleja, já que na banda federal não dava.

Deu Rui com Wagner, Dilma e Lula.

Agora temos os dois sem referências federais. Rui na sombra do que resta de Lula, mas no governo, bem avaliado, com a máquina na mão, mais ainda num ano de dinheiro curto para a campanha.

E Neto será candidato? Será. Nada a perder. No mínimo estará pavimentando caminho para o futuro. E também não tem outro nome.

Se não houver turbulências outras o cenário a se configurar é esse.

Com ressalvas — Joaci Góes, tucano que foi o candidato a vice de Paulo Souto em 2014, anti-petista ostensivo, avalia que Rui Costa é o melhor gestor que o PT já produziu, não só na Bahia, mas em nível nacional:

— Se ele sair do PT, ganha a eleição. Se não…

Bruno, o herdeiro — Desde o início do mandato ACM Neto deu todas as dicas e poderes ao vice e velho amigo, Bruno Reis.

Bruno é do PMDB e foi indicado por Geddel, mas ele próprio dá o tom.

— Todo mundo sabe minha história e a quem sempre fui ligado.

Eduardo funcionava como se fosse um banco de corrupção de políticos (…). Em troca mandava no mandato do cara

Lúcio Funaro, em depoimento ao MPF, já na delação premiada denunciando o ex-deputado Eduardo Cunha, segundo reportagem da Folha de São Paulo

Acredito que deve ser nas próximas semanas. Quem sabe, na próxima

Henrique Meirelles, ministro da Fazenda, sobre a privatização da Eletrobras

Prisco x Governo

Soldado Prisco (PPS), hoje deputado, ganhou na Justiça o direito de ser reintegrado ao Corpo de Bombeiros, de onde foi afastado por ter sido um dos líderes da greve da PM de 2001, pela 11ª vez, a última, há pouco mais de uma semana, no STF, mas não está acreditando muito que dessa vez, vai.

— Eles estão ensaiando me perguntar se eu quero ser deputado ou bombeiro. Ora, eles sabem que isso não existe.

Prevenção — Pela lei, PMs têm direito a disputar mandatos eletivos, mas se ganhar a eleição e assumir, vai imediatamente para a reserva. Depois do mandato, não pode mais se reincorporar à tropa.

Dizem que é para não contaminar a corporação. Até porque, o mandato é sedutor e deixa muitas saudades.

Arrependimento zero

Livre da acusação de ter recebido doações suspeitas, João Leão, vice-governador e secretário do Planejamento, foi questionado numa roda de amigos sobre o fato de ter dito, quando o seu nome saiu, o célebre ‘estou cagando e andando na cabeça desses cornos (os delatores)’. Foi curto:

— Eu nunca me arrependi disso.

Leão diz que já esperava a absolvição. ‘A denúncia era muito inconsistente’.

POLÍTICA COM VATAPÁ

Mendengue

Essa quem conta é Eduardo Kruschewsky, jornalista e colecionador de boas histórias e estórias da vida baiana.

Lá pelos anos 1950-60, existia em Coaraci, região do cacau, uma figura folclórica chamada Mendengue. Débil mental e morador de rua, sempre vestido de calça, paletó e chapéu rotos e imundos, vez por outra, surtava e saía pelas ruas aos brados, falando mal do prefeito Gildarte Galvão, crente batista, a quem não suportava.

A aversão de Mendengue ao alcaide tinha suas razões. Bastava qualquer alteração do maluco e o prefeito mandava que o metessem numa caçamba da prefeitura, largando-o bem distante da cidade.

Mas, ele sempre voltava! Uma ocasião, Mendengue, recém-chegado de mais uma dessas viagens compulsórias, estava exaurido, largadão na praça do Mercado Municipal, onde o prefeito mandara erguer um pedestal para ali colocar o busto do ex-prefeito Jairo Góes, quando passaram duas beatas a caminho da igreja católica. Uma delas comentou:

— Vixe, o que será que seu Girdarte vai colocar aí?! Êta homem trabalhador!

E Mendengue, estrilando raiva:

— Não sei não, minha senhora! Mas eu acho que isso aí é pra pendurar os quimbas do peste do crente!

As beatas ficaram escandalizadas.