ESTUDANTE DE DIREITO QUE MATOU NAMORADA COM 36 FACADAS É CONDENADO, MAS SEGUE LIVRE
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  • 24/10/2014 
  • Redação

Acusado de matar a namorada em 2007 com 36 facadas, o estudante de direito Jardel de Souza foi julgado e condenado nesta quinta-feira (23) pelo crime no Fórum Ruy Barbosa, em Salvador. Apesar de ter sido condenado a 14 anos e seis meses de prisão em regime fechado, o réu permanecerá em liberdade até o resultado da apelação feita pela defesa. Jardel foi sentenciado a 13 anos por homicídio e a um ano e seis meses por ocultação do corpo da vítima. A defesa apela que o crime feito há 14 anos foi feita em legítima defesa, contudo, a promotoria acredita que a versão não condiz com a realidade. “Ele não teve um corte e ela levou 36 facadas”, argumentou o promotor de justiça Jânio Braga ao jornal A Tarde.

 

 

O réu confesso,  Jardel de Souza contou detalhes de como assassinou a namorada

O réu confesso, Jardel de Souza contou detalhes de como assassinou a namorada

 

O  julgamento do estudante de direito, Jardel de Souza, que matou a namorada, Milene Bittencourt, com 36 facadas em setembro de 2007 foi a  julgamento nesta quinta feira (23). O  juri foi  presidido pelo juiz Paulo Sérgio Barbosa, do 2º Juízo da Primeira Vara Crime, o réu confesso responde à autoria do homicídio duplamente qualificado após desentendimento com a vítima.

A reportagem do Bocão News compareceu à audiência, que ficou marcada por grande manifestação dos familiares de Milene, revoltados com a liberdade de Jardel, que responde o crime em liberdade concedida em março de 2009, através de habeas corpus, depois de reclusão de um ano e meio. Os parentes da vítima compareceram ao julgamento vestindo camisas com a foto de Milene, mas não puderam permanecer na audiência, devido a repressão do juiz sob a manifestação dentro do fórum.

Foi  grande a manifestação dos familiares de Milene, pédido Justiça

Foi grande a manifestação dos familiares de Milene, pédido Justiça

Ainda aparentemente incrédula do ocorrido, mesmo após sete anos, a mãe da vítima, Maria das Graças Bittencourt, conversou com nossa reportagem e demonstrou o desejo por justiça. Ela preferiu esperar do lado de fora da sala. “Eu sinceramente espero que ele pegue a pena máxima. É o mais justo que pode ser feito no momento. Vão mostrar fotos da minha filha assassinada e eu prefiro não ver. Prefiro ter a lembrança da menina alegre em minha mente, como ela sempre foi”, desabafa sendo amparada pelo esposo e pai da vítima, Jorge Eurípedes, que preferiu não se manifestar.

A mão da moça apresentou fotografias dela com marcas de espancamento

A mão da moça apresentou fotografias dela com marcas de espancamento

Dona Maria ainda fez questão de mostrar as fotos da filha hospitalizada após uma agressão de Jardel sete meses antes do crime, que a deixou três dias internada no Hospital São Rafael e motivou o término do relacionamento. Com isso, Milene, que era estudante de psicologia da FTC, passou a ser perseguida pelo ex-namorado, que pedia a reconciliação.

 A psicológa Ariana Canário, amiga da vítima e que compareceu ao julgamento, explicou que Jardel abordava constantemente Milene na saída das aulas, até conseguir maior aproximação pedindo ajuda psicológica, que foi providenciada pela vítima no intuito de ajudar o ex-namorado. “Eles se aproximaram novamente porque ela queria ajudar ele. Já era comprovado o comportamento agressivo dele e ela o amava. Por isso, queria ajudá-lo. Não foi um pedido de reconciliação. Foi com um pedido de ajuda, um apelo emocional que ele conquistou ela novamente”, esclareceu.

Durante o julgamento, que ainda não teve pena definida, Jardel confessou a autoria do crime, mas alegou legítima defesa. Segundo ele, Milene tentou agredí-lo com uma faca e em um momento de nervosismo, ele tomou a arma e esfaqueou a vítima dentro do seu apartamento, em que ele revelou morar junto com ela. Versão contestada pelo promotor Jânio Peregrino Braga, que comprovou através dos laudos médicos não ter tido nenhuma agressão de Milene para Jardel.

á em relação a convivência no mesmo apartamento, de acordo com a amiga Ariana, se trata de um argumento mentiroso. “Estudávamos juntas e de segunda a quinta ela voltava para Camaçari (onde moram os pais) depois da aula. Na sexta, ela ficava em Salvador porque tínhamos aula sábado pela manhã. Então, ele não morava com ela”, rebateu.

Aguardando a decisão da justiça e ainda carregando a dor de perder sua filha de apenas 26 anos, Dona Maria revelou que tentou alertar Milene. “Depois da agressão, ela me falou que ele queria conversar com ela e eu disse: Filha, não vai, não permita”, contou emocionada .Jardel pode ser condenado pelo crime com pena que pode variar entre 12 e 30 anos de reclusão. Ele ainda é acusado de tentativa de ocultação de cadáver, quando abandonou um veículo no terminal do Ferry Boat, com o corpo de Milene no porta-malas. Na época, o acusado recebeu a ajuda do seu irmão Josafá da Pureza de Souza, que foi assassinado com cinco tiros na cabeça, no bairro de Sussuarana, em 2011.