FILHO DE HERZOG CHAMA BOLSONARO DE “ABERRAÇÃO” ELEITORAL E DIZ QUE É FUMAÇA
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  • 31/07/2018 
  • redacao

 

O diretor do Instituto Vladimir Herzog, o engenheiro Ivo Herzog

As colocações feitas nessa segunda-feira (30) pelo candidato à Presidência da República Jair Bolsonaro (PSL) sobre o assassinato do jornalista Vladimir Herzog (1937-1975) e sobre a reabertura de arquivos da ditadura militar (1964-1985) representam um “factoide político” de alguém que não passa de “uma aberração do sistema eleitoral”. A avaliação é do engenheiro Ivo Herzog, 51, presidente do conselho do Instituto Vladimir Herzog e filho mais velho do jornalista.

Ivo tinha 9 anos quando o pai foi morto nos porões do DOI-Codi, na zona sul de São Paulo, em outubro de 1975, um dia depois de ter prestado depoimento sobre sua suposta relação com o PCB. O local era então o maior órgão de repressão  aos grupos de esquerda contrários ao regime militar.

O presidente do instituto que busca preservar a memória de Herzog falou ao UOL nesta terça-feira (31) sobre declarações feitas ontem à noite pelo deputado federal e capitão da reserva do Exército durante sabatina de jornalistas  no programa Roda Viva, da TV Cultura –emissora na qual Herzog exercia a função de diretor de jornalismo quando morreu Herzog foi levado para depor sobre supostas relações com o PCB em 24 de outubro daquele ano e foi dado como morto no dia seguinte. Na ocasião, o governo militar classificara o episódio como suicídio, mas, três anos depois a própria Justiça reconheceu que ele havia sido torturado e assassinado e condenou o governo brasileiro. Após uma longa batalha judicial e trabalhos da Comissão Nacional da Verdade, a Corte Interamericana de Direitos Humanos condenou o Brasil no dia 4 deste mês por negligência na investigação do assassinato do jornalista