INAUGURADO EM JULHO, CENTRO DE CANOAGEM DE ITACARÉ NÃO FOI ABERTO PARA OS ATLETAS
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  • 18/08/2018 
  • redacao

Em ano de eleição, os governantes correm para inaugurar obras e somar pontos com o eleitor. O Centro de Treinamento de Canoagem de Itacaré foi inaugurado no último dia 4 de julho, custando cerca de R$ 900 mil. Porém, quase dois meses depois da inauguração oficial, o local ainda não recebeu um atleta sequer. De acordo com o presidente da Associação de Canoagem de Itacaré (ACI), Rodrigo Ferreira, os resíduos deixados por uma balsa que estava no píer impedem o acesso ao equipamento.

Balsa estava em frente ao píer | Foto: Divulgação

“Infelizmente ainda não estamos no espaço que foi entregue para a gente, porque havia uma balsa em frente ao píer que dava acesso à água para pudéssemos fazer os treinos. E eles ainda estavam retirando a balsa. Agora, eles estão retirando os resíduos. Ficou uma grande quantidade de resíduos e a gente não podia entrar com os atletas, porque pode acontecer um grave acidente. Então, estamos no aguardo, inclusive fomos lá tentar retirar, mas é muito difícil. Estamos esperando aí o que será possível fazer para que isso se adiante logo. Já tem mais de um mês que foi dado como inaugurado, mas ainda estamos esperando”, revelou em entrevista ao Bahia Notícias. “Como ela ficou muitos anos ali no local saíam várias camadas de ferro dela e pela dificuldade de desintegrar, elas afundavam na lama”, completou.

Rodrigo conta que desde a festa de inauguração, ele e outros membros da ACI têm visitado o local e até dado ajuda à empresa que está fazendo a limpeza. Porém, segundo ele, faltam os equipamentos necessários para que o trabalho seja realizado. Inclusive, a ACI recorreu à Prefeitura da cidade e aos empresários locais em busca da cessão de maquinário

 

Foto mostra equipe tentando retirar resíduos | Foto: Arquivo Pessoal

“Ao longo desse mês viemos perguntando ao chefe responsável pela empresa e ele vem dizendo que o que impede de entregar é essa balsa. Na verdade, ela já foi retirada há uma semana, depois de cobrarmos muito. Mas agora tem os resíduos que são muitos. E fica impossível para os nossos atletas irem lá porque esses resíduos podem machucá-los, está muito perigoso. Eles não têm a máquina apropriada. Estivemos lá, tentamos tirar, mas tem muito resíduo. A gente cava e o que não falta é resíduo naquele manguezal. Fomos na prefeitura, mas eles não querem dar esse trator, porque como é na lama, eles dizem que o trator pode quebrar, já que não aguenta esse tipo de trabalho, além de atolar. Eles também dizem que essa obra não é de responsabilidade deles. Tentamos também com empresários de Itacaré, mas eles também não disponibilizaram essa ajuda e assim vai. Já tem quase dois meses que foi inaugurado oficialmente, mas ainda não conseguimos estar lá para exercer nossas funções diárias. Ainda estamos no aguardo da retirada desses resíduos. É só o que falta para a gente começar a utilizar o Centro”, afirmou.

Além do Centro de Itacaré, o governo do estado está construindo outros dois equipamentos, um em Ubatã e outro em Ubaitaba, cidades em que nasceram dois medalhistas dos Jogos Olímpicos Rio-2016, Erlon Souza e Isaquías Querioz. Na última terça-feira (14), o titular da Secretaria do Trabalho, Emprego, Renda e Esporte, Vicente Neto, exaltou as construções em entrevista ao programa Papo de Craque, da Rádio Transamérica FM. A Setre é a responsável pelos projetos. “Estamos em processo de expansão da infraestrutura esportiva. Estamos fazendo três centros de canoagem aqui na Bahia. Eu próprio fui inaugurar o Centro de Itacaré. O de Ubatã e Ubaitaba ficam prontos no próximo mês”.

Em resposta ao Bahia Notícias, a Superintendência dos Desportos do Estado da Bahia (Sudesb) informou que as atividades no Centro de Canoagem de Itacaré já estão autorizadas para a utilização, em fase de testes, dos projetos sociais instalados no local. “Vale ressaltar que a gestão do Centro ficará a cargo da Prefeitura de Itacaré, que deverá preparar um termo de cooperação técnica para definir os termos da utilização. Entretanto, a parte burocrática não impede que o equipamento seja utilizado”, reforça a pasta.

A Sudesb explicou ainda que fez a retirada das duas balsas que atrapalhavam a utilização do píer, mas que alguns resíduos das embarcações ainda estão no local. Segundo o órgão, a empresa responsável pela obra já está mobilizada para a retirada dos resíduos e deve fazer um mutirão em breve para acelerar o processo. /Bahia Noticias/