NATAL À DISTÂNCIA, NATAL DA PANDEMIA (Por: Roseine Fortes Patella(*)
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  • 23/12/2020 
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Está acabando um ano que iniciou com um vírus distante, que veio bagunçar nossas certezas e planos. Estamos há meses variando desde comportamentos negacionistas, justificando riscos por não suportar encarar a mudança no mundo real, a forçar a mudança subjetiva – passando por comportamentos adaptativos, resilientes, protetivos – até medo, angústia, agressividade e estresse.

Dezembro traz habitualmente a reflexão, o fechamento do ciclo que vivemos e o preparo do novo. É uma época de demanda maior por ajuda psicológica por depressão, ansiedade, lutos… e mais do que nunca as pessoas precisam falar, ter seu sofrimento acolhido, partilhar experiências e vivências, principalmente, reforçar seus recursos internos.

Muitos canais de atendimento foram disponibilizados e, de toda forma, essa época natalina nos remete a contactar nosso canal íntimo. Estamos falando de adultos que também são responsáveis pelas crianças, que também precisam ser acolhidas nos seus pedidos ao Papai Noel; crianças que trazem para nós, ao vivo, o Menino Jesus; que simbolizam o futuro neste contexto que construímos para elas; principalmente precisam ser amadas e protegidas nas suas necessidades de desenvolvimento: comida, afeto, segurança, alegria, aprendizado, movimento, espaço.

Também estamos falando dos idosos que podem procurar e selecionar, dentro da sua grande vivência, suas qualidades, otimizá-las, compensando as perdas naturais do envelhecer. Como psicóloga profissional de saúde, sugiro então para um Feliz Natal essas dicas:

Usar máscara – e prestar atenção nas nossas cotidianas camuflagens que podem atrapalhar nosso autoconhecimento; higienizar mãos e ambientes – e perceber o que atrapalha nosso brilhar, nossa límpida luz interior; e distanciamento social – vamos nos afastar de relações tóxicas, vamos reforçar ligações afetivas construtivas, valorizar o que se constrói junto e para todos.

Vamos ser capazes de perceber o caminho de evolução do qual participamos, recalcular a rota frente ao que foge ao nosso controle, agradecer o apoio, vibrar com cada passo, unir ciência e espiritualidade, com ética e compromisso com nossa espécie e nosso planeta.

Propomos aceitar que somos incompletos – daí podemos ser criativos!; somos parte da natureza  – daí nossa responsabilidade em transformá-la e a nós mesmos; somos movidos a encantamento – daí a alteridade a nos ressignificar, o olhar do outro em nosso olhar sobre nós. A diversidade como caminho de inovação e não de ameaça… que podemos nos ressignificar – e à pandemia – a todo momento!

Este ano tem sido uma surpresa com aspectos que não percebemos à primeira vista: a solidariedade e o cuidado um com o outro. E nos mostrou “que a importância de uma coisa há que ser medida pelo encantamento que a coisa produz em nós”, como diz Manoel de Barros em “Memórias Inventadas – A Infância”.

Que, como diz a música/poema “Canção Amiga”, de Drummond e Milton:  “Minha vida, nossas vidas, formam um só diamante” e que esta seja a joia que ostentemos em 2021

 (*)-Professora-Mestra em Psicologia da Universidade São Judas