o Estado (SSP) brinca de apagar muros e paredes com a marca dos grupos criminosos, a marca do poder real e paralelo (Por Marcos Maurício *))
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  • 16/08/2017 
  • Redação

 

 

A Polícia Civil da Bahia é a Instituição mandatária das funções de Polícia Judiciária estadual, incumbindo a ela a apuração das infrações penais, exceto as militares, como prevê de forma brilhante o texto da nossa Carta Magna.

Pelo texto constitucional infere-se uma Instituição forte, com investimentos vultosos na área de investigação criminal, profissionais capacitados continuamente, estrutura compatível com suas competências, sistemas informatizados integrados e operantes que subsidiam os profissionais na execução de suas atribuições, profissionais motivados, com suas carreiras bem organizadas, um clima profissional harmonioso.

Mas o que se vê na realidade são cenas deprimentes que a sociedade baiana constatou ao ler em sites com grande acesso e jornais de grande circulação do Estado, vendo um investigador de Polícia Civil pintando uma parede em um bairro de Salvador que estava escrito “BDM” (bonde do maluco), facção criminosa que com as demais dominam e disputam pontos de drogas em todo o Estado da triste Bahia.

O que me veio à mente foi a inocência e o desespero da Administração da Secretaria da Segurança Pública em tentar cobrir aquelas letras, como se fosse apagar da mente da sociedade a guerra que está instalada no nosso Estado. Enquanto isso, as facções criminosas expandem seus poderes em presídios, favelas, comunidades, bairros periféricos e municípios do interior do Estado que antes eram tão tranquilos que causavam nas pessoas da capital que visitavam certa nostalgia pela vida pacata.

Suas disputas devoram vidas de famílias inteiras, matam, sentenciam, portam e expõem armas proibidas, como fuzis, metralhadoras, pistolas, impõem toque de recolher em todo o Estado como aconteceu no último final de semana em vintebairros de Salvador e em diversas cidades do interior do Estado, após a morte de um traficante.

Enquanto isso, o Estado (SSP) brinca de apagar muros e paredes com a marca dos grupos criminosos, a marca do poder real e paralelo.

Mais uma vez, a Polícia Civil que deveria estar nas ruas, com equipes de investigadores, delegados e peritos, realizando investigação criminal, de forma integrada e harmoniosa, fica colocando seus profissionais para prestar papel social de pintores de paredes, carcereiros, vigias, motoristas particulares e, ainda, “garoto de recados” e informantes. Enquanto isso as facções criminosas têm demonstrado como o Estado (SSP) está anos luz aquém dessas organizações criminosas.

Sabemos que não é culpa desses profissionais, que tanto se dedicam no seu mister de combate a criminalidade e na promoção da paz social, contudo se veem impotentes, frente a falta de gestão na Segurança Pública.

Precisamos de tudo, precisamos de reconhecimento profissional, de estrutura, de capacitação continuada, precisamos de salários compatíveis com nossas complexas atribuições, precisamos que a sociedade se mobilize para salvar a sua Polícia Civil. Embora essa Instituição seja a responsável pela tarefa constitucional de investigação criminal no Estado, a Secretaria da segurança Pública abandonou a instituição e hoje a sociedade sofre anualmente emmédia a morte de 6.000 filhos da Bahia.

Acorda Governador, Salve a Polícia Civil para termos um fio de esperança de dias melhores para o povo baiano.

 (*)-Presidente do SINDPOC e FEIPOL/NORDESTE