O CAPITALISMO DO PT ( Por Samuel Celestino)
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  • 08/02/2015 
  • redacao

samuel

Triste comemoração a dos 35 anos de fundação do PT realizado na sexta-feira (6) em Belo Horizonte. Ao invés de festa, tristeza. Afinal, um partido que nasceu empunhando a bandeira da esperança e da construção de um País novo, atravessa o pior período que jamais fora imaginado, com seus dois governos, em sequência, marcados por uma corrupção inimaginável. A começar pelo mensalão, que somente era a ponta dos acontecimentos que emergiriam tecidos nas trevas dos bastidores. Explodiu com a derrubada, com o massacre, a sangria impiedosa da sua maior estatal, o grande símbolo que o Pais construiu nos anos 50 do século passado como bastião do seu sonhado desenvolvimento. A Petrobras, cambaleando, foi desmoralizada aqui e no exterior, com a depravada corrupção que nasceu dentro do próprio PT para se alimentar com propinas, de sorte a suprir o caixa partidário, e não só isto, para facilitar as campanhas eleitorais da legenda. É o que se denuncia.

Não poderia haver mesmo festa nos 35 anos de um partido que nasceu como promessa. A não ser uma festa mascarada para engabelar os que ainda o entendem como um partido voltado para os trabalhadores, que se fez como um contraponto ao capitalismo e – porca miséria – para se alimentar exatamente participando das aleivosias do que há de pior no capitalismo: a roubalheira, o assalto, o enfiar a mão na arca do tesouro, enquanto oferecia contratos superfaturados a empreiteiras, para mamar nos editais das refinarias e de obras da petroleira.

A diretoria da estatal não viu nada. O governo, entendendo-se imbatível, também não viu, enquanto o PT fechava os olhos ia buscar pelas mãos sujas do seu tesoureiro, João Vaccari Neto, a sua participação no dinheiro sujo, que era lavado como “doações legais”. Teriam sido desviados para o partido, supõe-se, a partir da delação premiada do diretor Pedro Berusco, entre US$ 150 milhões a US$ 200 milhões de dólares.

Vaccari Neto teria embolsado a sua parte, segundo o mesmo delator, em torno de R$ 4,5 milhões de dólares. O PT – ainda é uma suposição – está em frangalhos, desmoralizado, enquanto a Operação Lava Jato, na sua 9ª fase, tenta salvar o que ainda resta, através de um juiz destemido, Sérgio Moro, do Ministério Público Federal e da Polícia Federal. A Dilma nada resta senão acompanhar os tristes fatos, e se for religiosa, rezar. Porque de reza, ao que parece, ela de muito necessita. A cada fase da Operação Lava Jato, um susto: o Brasil apodrece e quanto mais se procura mais se acha. Agora, imagina-se que mais 26 empresas ora descobertas estão envolvidas.

No que foi que transformaram, afinal, o Brasil? De que maneira e como se poderá limpar a sujeira que impacta e envergonha os brasileiros atingindo em cheio o governo? É mesmo difícil acreditar no que acontece e emerge a cada investigação do Lava Jato. O País necessita urgentemente de uma lavagem a jato porque está entregue a abutres que se alimentam do tal capitalismo petista.

* Coluna originalmente publicada na edição deste domingo (8) do jornal A Tarde