RUI E OS PROBLEMAS DE DILMA (Por Samuel Celestino)
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  • 29/03/2015 
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Envolvido numa crise que a presidente Dilma Rousseff não viu, ou preferiu mentir para assegurar um segundo mandato, o País não está, no entanto, quebrado, mas com a sua economia embaraçada pela incompetência. Neste aspecto, os brasileiros chegam à conclusão, a partir das pesquisas de opinião, que Dilma não só prometeu o que não tinha para entregar, como não estava, e nunca esteve preparada para comandar o País. Responsabilidade de Lula, sem a menor dúvida, que garantiu ter optado pelo melhor quadro para sucedê-lo. Seguramente, pensou mais nele e numa volta ao poder do que na população brasileira. Ademais, a presidente não é virtuosa. Pelo contrário, é abertamente prepotente e arrogante. É uma senhora que se imagina ter mãos de ferro.

Os executivos dos estados que ascenderam ao poder nas últimas eleições, como Rui Costa, por exemplo, ficam agora entre a cruz e a caldeirinha. Sabem eles, todos eles, que dificilmente poderão honrar, embora desejem, as promessas feitas na campanha aos eleitores. A situação do País não permite, e dificilmente permitirá pelo menos nos próximos dois anos – quiça fique por aí – que as unidades federativas contem com ajuda do Palácio do Planalto para tocar as suas metas prioritárias.

Aqui na Bahia, o governador Rui Costa não diz, nem lhe compete declarar para não cultivar dificuldades, mas enfrentará problemas em diversos setores administrativos do estado. O governo da União já não tem nas mãos os recursos que transferiria aos estados e municípios. Dilma errou desde o primeiro dia da sua primeira gestão, embora tal realidade não fosse do conhecimento de segmentos variados da população, inclusive da própria presidente, porque ela não estava preparada para administrar.

Consequentemente, não tinha a menor noção do que fazia e quando isso acontece, como todo mundo sabe, passa-se a cometer em relação à economia erros sobre erros. Muitas vezes erros inadmissíveis. Somente agora, e estamos apenas no final do seu terceiro mês de segunda gestão, ela sabe, ou por ser arrogante presume, que esta perdida, isolada, e passou a ser refém do Congresso Nacional, da Câmara e do Senado. Já não depende do seu comando, mas do comando do presidente do Senado, Renan Calheiros, o que passa a ser uma ironia para o País, e do presidente da Câmara, Eduardo Cunha.

O governador Rui Costa, lá com seus botões, sabe que não fará o governo que pretendia diante da crise, que não é pequena. A não ser que uma fada-madrinha, com uma varinha mágica, surja do mundo das fantasias e o presenteie, enquanto governar, com alguns arco-íris variados cobrindo o território baiano, com potes de ouro onde os belos arcos têm fim. Ademais, o governador Jaques Wagner deixou dívidas em empréstimos bancários. Quanto, não se sabe. Mas os juros e a correção monetária em tempo de inflação serão implacáveis. Como então fazer? É uma incógnita.

O governador anterior conseguiu obter da união – de Dilma, acentue-se – dinheiro para as obras que ele tocou nos seus dois últimos anos no governo. Portanto, os governadores de unidades federativas e os prefeitos municipais não devem contar com o Palácio do Planalto. Trata-se, pelo que agora se observa, um sonho impossível. 

* Coluna originalmente publicada na edição deste domingo (29) do jornal A Tarde